Meu nome é Rodrigo, conhecido pelos amigos como Digão. Na verdade de grande não tenho nada, exceto os grandes amigos que sempre me deram a maior força na hora que mais precisei. Minha estória começou assim que nasci, em 29/03/1974. Tive uma vida razoavelmente normal até meus quase 12 anos de idade, quando fiz meu primeiro transplante renal. Costumo dizer razoavelmente normal pois sempre fiz de tudo e muito mais que uma criança da minha idade fazia. Mas sempre pude notar que era diferente de meus colegas de sala. Sempre fui o menor da sala e das escolas por onde passei.
Contudo no dia 10 de março de 1986, quando fiz meu primeiro transplante renal, tudo mudou. Tudo ocorreu na mais perfeita ordem, minha mãe foi a doadora. O médico deu previsão que seria necessário ficar 3 meses longe de casa, o que não ocorreu, pois no dia 29/03, meu aniversário, eu já estava em casa.
Os 5 primeiros anos ocorreram na mais perfeita ordem, tudo estava normal, quando aos poucos os exames foram alterando e no dia 13/10/1995 passei mal e fui parar na UTI, onde fiquei em coma por mais de uma semana. Neste dia eu perdia meu primeiro transplante renal, que durou quase 10 anos.
Os médicos ficaram impressionados com o tanto de gente que ficava o dia inteiro na porta do hospital em busca de notícias. Eram meus amigos, eternos amigos. Apesar de tudo que sempre aconteceu em minha vida, sempre mantive a bom humor para tudo, e com todos. Até mesmo na UTI eu fazia minhas graças. Foi desta fez que fiz hemodiálise pela primeira vez na vida, pois até então nunca tinha passado por isso, foi aí que senti na pele o quanto é grande o sofrimento das pessoas que estão numa fila para fazer um transplante. Eu não posso reclamar, pois apesar de tudo que já me aconteceu posso me considerar uma pessoa de sorte, pois todos da minha família podem ser doadoras para mim.
Foi assim que em 9/01/96, depois de recuperar do ocorrido em outubro de 95, fiz meu segundo transplante renal, onde meu pai foi o doador. Já este segundo transplante foi mais complicado, pois fiquei 77 dias longe de casa, e tive tudo quanto é tipo de problema que podia ter, os quais foram todos contornados e no dia 21/03/96 retornei para casa onde fui recebido pelos amigos com grande festa e alegria.
Atualmente meu rim transplantado está em perfeita ordem, tenho uma vida normal, sou o mais alegre da turma e acredito que não exista nada mais lindo na vida do que a própria vida.
Este é um resumo do resumo de minha vida. Há muito ainda que não foi dito, mas o mais importante é que não podemos descartar a possibilidade de sermos os próximos numa fila para fazer um transplante. Só mais uma outra coisa, aconteça o que acontecer nunca deixem de sorrir e aproveite a vida, de preferencia rodeado de amigos, que são o melhor remédio para a vida, sorrir e amigos, a combinação perfeita.
Esta foi e é minha história.
Rodrigo Silva Rezende
vulgo Digão é de Goiânia - GO.