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Doar Vida

Neste começo de ano, quando resolvemos gravar o clip GLOBELEZA, nas últimas semanas de gravidez da Valéria e colocamos até o nosso filho-por-nascer na telinha, o que, aliás, rendeu manifestações emocionadas vindas desde a Amazônia até São Paulo, passando pelo Recife e pela Bahia, momento em que nossos sentimentos estão à flor da pele, me aparece o Renato chamando-me para uma conferência no Copa d’Or de Copacabana, onde o tema era “Doar Vida”, doar órgãos, rins, coração, pulmão, córnea e, o mais difícil, o fígado, justamente aquele que o Renato recebera em operação de transplante, através do qual ele renasceu – fazendo jus ao seu nome de “renascido”. Depois de reconquistar a vida, ele abraçou, com toda a alma, a causa, cujo objetivo é o de ampliar a base de órgãos para transplante – cuja falta, em grande parte do Brasil, custa a vida de milhares de doentes todos os anos.

Eu tinha feito uma marca para a campanha da ADOTE - Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos - sintetizando esse ato através de grafismos e, de acordo com o Renato, essa marca com minha assinatura teria lhe ajudado muito em abrir portas, obter atenção e contribuições para a sua cruzada. Isso já me deixou sensibilizado e feliz porque desde a campanha dos 500 anos de Descobrimento eu vinha recebendo, periodicamente, solicitações nesse sentido. Saber que este logo estava realmente ajudando foi legal.

Agora iria ser apresentada, em Copacabana, a vinheta animada, na qual parece que fui bastante feliz em sugerir, graficamente, como de um “corpo” inerte, deitado, pode surgir outro com a vida, dada pelo coração do primeiro. Tudo simbolicamente.

Ao encerrar sua palestra, o Renato disse para aquela platéia repleta de médicos cirurgiões, pessoas que tinham recebido órgãos através de operações de transplante, autoridades como o vice-governador Luis Paulo Conde e os “gaúchos”, particularmente avançados e engajados no tema de transplantes no Brasil, que tinha sido presenteado duplamente: pela Mocidade Independente de Padre Miguel – que escolhera esse tema, essa forma de driblar a morte, como enredo – e pela vinheta de Hans Donner. E mandou ver.

O César Rocha, da minha equipe, fez um trabalho de animação magnífico e o Aluísio Didier, que faz as trilhas das vinhetas da Globo, contribuiu com o áudio. O produto final foi emoção pura. A trilha animada com aquele som foi uma sensação. O pessoal arrepiou e as palmas foram intensas e demoradas.

Quando as luzes acenderam, percebi que tinha gerado a maior comoção que meu design já tinha provocado. E olha que estou acostumado, há anos, a receber elogios e manifestações de entusiasmo por ocasião das estréias de nossas produções. Foi assim com Tieta, diversas aberturas do Fantástico, Deus nos acuda, Brasil afoga na lama e outros, para mencionar algumas, inclusive as vinhetas da Globeleza, principalmente esta última.

Mas aqui algo diferente estava ocorrendo. Não se tratava de entretenimento, de uma fantasia. Tratava-se daquilo que é mais precioso ao homem: a Vida, a vida recuperada através da ciência, a vida ganha através da boa vontade das pessoas, da doação de órgãos. Nunca vira tamanha reação a uma vinheta.

Homens com 1,90 m. vieram me abraçar com olhos lacrimosos; mulheres fazendo fila e pedindo aos seus maridos para abrirem a camisa para me mostrar aquele enorme “Y” , a marca que restou após o transplante que lhes devolvera a vida. Foi a experiência mais forte de minha vida profissional, a que tocou mais fundo. Foi incrivelmente gratificante!

Não pude deixar de sentir o acúmulo das emoções relativas a essa iniciativa que visa a Vida , e aquelas que vinha experimentando há dias, também relacionadas à vida, aquela nova Vida que acabara de chegar em casa: nosso filho João Henrique.

Coincidência? (Pra quem cisma...). Lembre-se: você pode salvar uma Vida!

Nota da redação: João Henrique, filho de Hans e Valéria, nasceu no dia 23 de janeiro, pelo que o Tipo Carioca e seus leitores lhes felicitam. Mãe e filho estão passando muito bem. O pai está bobo.

Notas do administrador deste site: Este texto foi originalmente publicado no site do Jornal Tipo Carioca.

Renato, a quem Hans Donner se refere, é Renato Gomes, Vice-Presidente da ADOTE e Diretor Regional da instituição no Rio de Janeiro - ADOTE/RJ. É transplantado de fígado.

Hans Donner

Para o Jornal Tipo Carioca
http://www.tipocarioca.com.br

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