ADOTE - ong doação de órgãos O que Saber
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Gleidson Carvalho

Há 10 meses, depois de uma espera de 2 longos anos, fui transplantado de fígado, em Recife. Infelizmente, não deu certo, por motivos técnicos com o fígado doado. Depois de tentar resolver o problema através de procedimentos mais simples, médicos concluiram pela necessidade de um re-transplante. Aguardo há meses outro órgão para o esperado novo transplante. Havia uma grande expectativa que agora, no carnaval, face aos inevitáveis acidentes que sempre ocorrem, haveria de aparecer um possível doador, o que terminou não acontecendo. Segundo os médicos, é muito grande o meu risco de morte. Apesar dos antibióticos de última geração, são constantes as infecções, febre, calafrios. Afinal, estou há meses com dois drenos biliares externos ligados ao fígado, o que favorece muito a um grande risco de infecções bacterianas.

A verdade é que tem muita gente morrendo - e eu sou um candidato forte - antes mesmo de chegar a sua vez na fila de transplante, por falta de um doador de órgão. O que fazer? Com certeza, falta uma conscientização dos familiares de vítimas de acidentes, para que permitam que sejam doados os órgãos saudáveis daquele seu parente que já está com morte encefálica.

Por falta de uma campanha certa, por questões de valores morais/espirituais etc., os familiares se questionam "Por que eu vou permitir a doação dos órgãos desse meu parente? Eu vou ganhar o que com isso?"

Seria ótimo que este recado chegasse ao conhecimento do Governo, para promover uma ampla e contínua divulgação nos veículos da mídia, em campanhas educacionais competentes e exaustivamente expostas ao público. Quando um ator da TV Globo (Norton Nascimento), recentemente, precisou de um coração, num instante a opinião pública se mobilizou e conseguiu aquele órgão. Bateram recordes as doações naquele período. Veja o que uma divulgação consegue: a TV Globo - esta passada, mobilizou a atenção de 30 milhões de pessoas que fizeram ligações telefônicas PAGAS, para manter no programa Big Brother um dos participantes e eliminar outro, por puro divertimento. As vítimas de acidentes fatais continuam morrendo, mas seus órgãos não estão sendo aproveitados em pessoas que dariam graças a Deus por uma nova oportunidade de continuarem vivas. Acho que o Governo deveria investir mais em propaganda sobre o assunto - exaustiva e competentemente.

Gleidson Carvalho

gleidsonvc@gmail.com
Recife-PE, Fevereiro de 2005

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