Eu, Francisca Lúcia de Oliveira Pontes, fiz um transplante de coração e estou aqui agradecendo a Deus, a virgem Maria, a sta Rita de Cássia e a todos os santos pelos milagres que aconteceram na minha vida. Em abril de 2001 senti um cansaço, fui ao médico e através de muitos exames, foi constatado que eu tinha o coração crescido. Comecei a me tratar com dra Fátima Azevedo. Passei dois anos bem de saúde, depois a medicação já fazia pouco efeito.
Em 1o de Janeiro de 2005 senti uma dor muito forte, logo melhorei e, por isso, não fui ao médico, mas em 8 de Janeiro tudo se repetiu, fui à urgência do Hospital Promater, o médico examinou, pediu vários exames, inclusive uma ultrassonografia do abdome, resultado: vesícula muito inflamada, fiquei internada e o médico falou que teria que me operar urgente, a médica não combinou pois corria risco cardiológico e que essa inflamação era devido o coração crescido, eu não aceitava a cirurgia. Eu e minha família começamos a rezar pedindo a Deus e a sta Rita de Cássia pela minha cura.
Continuei internada e cada vez que repetia os exames a vesícula estava melhorando, foi aí que aconteceu o primeiro milagre. Poucos dias, tive alta passei uns quatro dias em casa, tive que me internar novamente porque o coração já tinha afetado vários órgãos. No final de Janeiro ao ir para casa me senti mal e retornei a medica que me informou que o único jeito seria um transplante pois, o coração não aceitava mais a medicação, ela me encaminhou à dr Epitácio, cardiologista que trata dos pacientes no pré e no pós operatório.
Fui ao consultório dele no inicio de fevereiro, ele me explicou tudo, pediu outros tipos de exames, pois tinha que primeiro avaliar a minha situação e que não tivesse medo que era simples. Sai de lá conformada, contudo ao chegar em casa pensei em não aceitar, mesmo assim marquei os exames.
Comecei a piorar e tive que internar, dei muitas entradas e saídas no hospital, vez passava 2 ou 3 horas em casa e voltava a me internar, tive uma lesão no pulmão, uma trombose venosa na perna direita, isso eu já me tratava com vários especialistas. Fui para a UTI oito vezes, a última vez foi em 5 de maio, passei 38. ao chegar,dr Epitácio me disse que eu só sairia transplantada. Foram momentos de dores e sofrimentos juntamente com a fé e a esperança. Eu continuava na UTI com muitos aparelhos, graças a Deus muito resignada, nunca reclamei nem perdi a esperança.
As veias não tinham mais como receber soros, medicamentos etc, então introduziram um cateter. O coração não aparecia, mesmo que aparecesse eu não poderia me submeter a um transplante, a pressão do pulmão estava muito alta, meu quadro era gravíssimo, melhorava de uma coisa aparecia outra, a confiança em Deus continuava. Fazer cateterismo para mim era mais um sofrimento e fiz vários, só tiraram o cateter do pescoço quando saí da UTI.
Eu estava tão abatida que os médicos resolveram liberar a visita dos meus familiares a qualquer hora do dia, seria melhor para mim e para eles estarmos juntos o dia todo. Chegou a primeira semana de junho, era festa de pe José de Anchieta, então Gracinha Bastos que tanto rezou por mim, que Deus lhe abençoe, exigiu do pe Anchieta dizendo: Pe Jose de Anchieta eu quero um coração para minha prima Lúcia e é para o senhor mandar daqui para o dia 9, que era o encerramento da festa, aconteceu mais um milagre, ele mandou em 7 de junho.
Em 5 de junho era aniversario de 15 anos de minha filha, que pedia para todos rezarem por mim, para que eu conseguisse um doador compatível e, neste mesmo dia o doador foi a uma festa e de volta recebeu um tiro acidental falecendo no dia 6 de junho.
Mais ou menos 11 horas da noite, dr Epitácio conversou comigo que havia chegado um coração para mim, que logo eu iria ser transplantada, pediram a presença de Waldo, meu esposo, urgente no hospital, passei todo o dia com a pressão descontrolada devido a forte medicação para que o coração resistisse ate a chegada do novo.
Logo que meu esposo chegou foi informado e começaram a me preparar, eu muito feliz com confiança em Deus que logo ficaria boa, 1h e 40min desci para o centro cirúrgico, cumprimentei meus familiares e pedi que avisassem aos amigos e parentes. Após poucas horas, já haviam trocado meu coração, o grande milagre já havia acontecido. As 12h e 10min já tinha acordado e subi para UTI, avistei minha família acenei e confirmei que estava legal.
Dia 23 de junho retornei a minha casa, graças a Deus estou ao lado do meu esposo e dos meus filhos. Eu não tenho palavras para relatar tantas graças alcançadas. Deus dá a sabedoria aos médicos e eles curam. Agradeço a Deus, a toda equipe do hospital Promater, aos cirurgiões: Dr Marcelo, Dr Ângelo, Dr Madson e Dr Hamilton, ao Dr Epitácio que continua cuidando de mim junto com Dra Sarita, psicóloga. Agradeço também aos funcionários da hemodinamica, aos enfermeiros da UTI e de outros setores, que Deus lhes abençoe e que tenham muito sucesso em sua profissão.
A família do doador, só Deus pagara pela sua autorização, peço a Deus que salve a alma do doador, pois o coração dele salvou minha vida, por causa dele que hoje estou aqui. Agradeço a todos que rezaram por mim, que Deus lhes retribua com saúde e paz. Doar órgãos é dar um presente de vida, é dar continuidade as obras de Deusa, é fazer renascer a esperança e é o último gesto de amor!