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É importante não ficar de braços cruzados.

Meu nome é Fernando Senna de Carvalho, tenho 36 anos. Quem, com essa idade, pode imaginar que passará por tribulações causadas por uma doença fatal? Eu nunca sequer pensei na hipótese. Sobretudo pela vida agitada que eu levava, com um ritmo intenso de trabalho, festas com amigos, viagens.

Há aproximadamente um ano minha vida mudou radicalmente.

Descobri que sou portador do vírus da Hepatite C e que havia evoluído para uma cirrose hepática. Uma notícia terrível, eu pensei que iria morrer. E uma surpresa muito desagradável ouvir que eu havia adquirido o vírus há aproximadamente 15 anos, sem ao menos saber como aconteceu, e que meu organismo já estava tão debilitado que somente um transplante poderia me salvar.

Mas a doença foi descoberta no momento certo, a tempo de iniciar um tratamento e tentar lutar pela vida. Foi “por acaso”. Um colega de trabalho me encontrou desmaiado e levou-me para o hospital, onde iniciou minha nova trajetória de vida.

Passei por várias situações até então inimagináveis. Fui vítima do falho sistema único de saúde, permanecendo dois dias sentados no chão, no corredor do hospital, até conseguir uma maca, por solicitação de um médico que reconheceu a gravidade da minha doença.

Após minha alta, precisei vencer os primeiros obstáculos: a auto-aceitação, o preconceito e descaso dos amigos, o medo de morrer, o afastamento do trabalho, por recomendação médica, a opção pelo tratamento, que é bastante rigoroso e mudaria toda a minha rotina de vida.

Mas encontrei na minha esposa Gabriele e familiares o apoio que eu precisava e, aos poucos, comecei a lutar. Eu e minha esposa mudamos de cidade (de Santa Maria para Passo Fundo) a fim de receber tratamento mais aplicado. Desde a mudança, fui internado diversas vezes devido aos agravantes causados pela doença. Já tive ascite, varizes no esôfago, encefalopatia (chegando ao nível 4), hérnia umbilical (foi retirada em uma cirurgia de emergência), insuficiência hepática causada por hemorragia, depressão e outros sintomas que se apresentam no dia-a-dia.

Porém, apesar de tantas disfunções no meu organismo luto todos os dias pela vida.

E não só pela minha vida, mas de todos que estão na mesma situação, aguardando um transplante.

Resolvemos criar uma campanha de Doação de Órgãos. Começamos pesquisando e esclarecendo as pessoas mais próximas e hoje alcançamos horizontes muito mais amplos. Já conseguimos publicações em revista de tiragem nacional, entrevista na TV, sites relacionados à saúde, expomos cartazes em uma frota de ônibus, criamos uma logomarca, um blog, produzimos folders e camisetas. Nosso próximo passo será ministrar palestras em escolas e empresas.

Nosso objetivo é conscientizar cada vez mais pessoas de que a doença não escolhe a quem atingir. E que doar órgãos e tecidos não está relacionado à morte e sim à vida.

Temos a certeza de que serei salvo, pois estamos fazendo a nossa parte.

http://revistavivasaude.uol.com.br/
http://www.viavida.org.br/news
http://doeorgaos.blogspot.com

Médicos responsáveis: Lísia Hoppe, Paulo Reichert e Rosemar Stefenon.

Nossos e-mails são: gabidelima@yahoo.com.br e fsennacar@yahoo.com.br

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