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Adote C ADOTE-C - Grupo de apoio a portadores de hepatite C da ADOTE - é uma atividade da ADOTE criada em agosto de 2005 sob a hipótese de que, sendo a cirrose hepática derivada da hepatite C a principal causa de indicação de transplante de fígado, a detecção e o tratamento precoce pode contribuir para a diminuição da lista de espera pelo transplante.

A ADOTE-C reúne-se a cada quinze dias no auditório da Terceira Coordenadoria Regional de Saúde, à Rua Barão de Santa Tecla, esquina com Rua Tiradentes, em Pelotas, RS.

Informações gerais sobre hepatites virais

O Fígado

O fígado é um órgão sólido, constituído por células chamadas hepatócitos. Está localizado na parte superior direita do abdome. Recebe através de uma grande veia, a veia porta, o sangue venoso, que vem do aparelho digestivo.

É o órgão mais volumoso do organismo e exerce funções extremamente importantes, sendo considerado uma verdadeira usina produtoras de substâncias.

Suas funções essenciais são:

  • Receber toda e qualquer substância (nutrientes, medicamentos, etc.) absorvida no intestino e modificá-las (alterar a estrutura química) através da ação das enzimas, suavizando, inativando ou ativando os seus efeitos. O fígado pode neutralizar eventuais substâncias tóxicas ingeridas e absorvidas pelo intestino;
  • Armazenar nutrientes como glicose, aminoácidos e ácidos graxos (gorduras primárias usadas para produzir outras gorduras mais complexas) e produzir, a partir desses nutrientes, várias substâncias, usadas pelo organismo: algumas proteínas e lipoproteínas, a albumina (principal proteína constituinte do plasma sangüíneo), os fatores de coagulação e o colesterol;
  • Ajudar a regular a concentração de glicose no sangue;
  • Produzir a bile, um líquido verde e denso produzido pela vesícula biliar, que auxilia o intestino a digerir as gorduras.

HEPATITES

Hepatite é uma doença inflamatória do fígado, que compromete suas funções. Pode ser aguda ou crônica.

As hepatites podem ser virais, auto-imunes (uma condição na qual o sistema imunológico do indivíduo passa a reconhecer seus órgãos tecidos como estranhos e tenta destruí-los) ou serem causadas pela reação ao álcool, drogas ou medicamentos. As hepatites virais são as mais comuns.

As doenças do fígado, em especial as hepatites, provocam anormalidades nas funções desse órgão, como icterícia e colapso da produção de proteínas e na neutralização de substâncias tóxicas. As condições crônicas levam à cirrose hepática. A icterícia resulta da inflamação do fígado que dificulta a metabolização e eliminação da bile para o intestino, provocando o acúmulo de bilirrubina (pigmento esverdeado usado para a produção de bile pelo fígado) no sangue, tornando a pele e as mucosas amareladas.

A cirrose hepática é o resultado de múltiplos processos de cicatrização que ocorrem no fígado como conseqüência de qualquer inflamação persistente e pode ocorrer em todas as condições de inflamação crônica do órgão. Caracteriza-se pela ocorrência de necrose (destruição das células), formação de fibrose e nódulos de regeneração. Fibrose é a substituição das células normais (hepatócitos) do órgão por tecido de cicatrização. Esse tecido fibrótico (formado por fibras), cicatrizado, perdem as funções que os hepatócitos normais possuem. Os nódulos de regeneração são formações de células regeneradas. É uma tentativa do fígado de substituir as células perdidas. Esses nódulos não conseguem realizar as mesmas funções das células normais.

As Hepatites Virais

As hepatites virais são as mais comuns e são designadas por letras: A, B, C, D , E, F e G. As que merecem mais atenção do ponto de vista de saúde pública sãs as hepatites B e C.

Hepatite A, geralmente é de evolução benigna e por isso dificilmente leva o indivíduo a estados graves. O vírus causa uma infecção aguda que se cura espontaneamente com o passar do tempo. Não se torna crônica. A transmissão do vírus ocorre principalmente por via fecal-oral (ingestão de alimentos e água contaminados por fezes infectadas com o vírus). Na Hepatite D, a infecção vírus, conhecido como VHD ou vírus da hepatite delta, ocorre apenas em pacientes infectados pelo VHB. Em pacientes cronicamente infectados pelo VHB, a infecção com o VHD acelera a progressão da doença crônica. Aproximadamente 5% dos pacientes com VHB são também infectados por VHD. A Hepatite E é causada por um vírus transmitido por via digestiva (transmissão fecal-oral), provocando epidemias em algumas regiões. Não leva a casos crônicos. O vírus da Hepatite F foi identificado em diversas hepatites graves de diferentes etiologias, mas ainda é pouco conhecido. O vírus da Hepatite G, também conhecido como GB-C está relacionado com o vírus da Hepatite C. O VHG é transmitido pelo sangue e é comum entre toxicômanos e receptores de transfusões. O VHG também pode ser transmitido durante a gravidez e por via sexual. Aproximadamente 10% a 20% dos portadores de hepatite C são contaminados com o VHG.

Hepatite B - a infecção causada pelo vírus da Hepatite B (VHB) está associada com a doença aguda clássica, onde o indivíduo apresenta os sintomas conhecidos da hepatite (síndrome gripal, fadiga, dores de cabeça, náuseas e icterícia). A gravidade da doença é variável. Alguns pacientes desenvolvem doença crônica que, se não for tratada, após alguns anos pode levar à cirrose e ao câncer de fígado. A transmissão do VHB ocorre, principalmente, através do contato com sangue contaminado por meio de seringas, transfusões ou ferimentos e do contato sexual, através das secreções contaminadas.

A hepatite B é uma doença que pode trazer muitas complicações e tornar-se grave. As pessoas contaminadas pelo VHB desenvolvem uma doença aguda, com gravidade variável dos sintomas, e depois se recuperam normalmente em até 6 meses. Um pequeno percentual delas, entretanto, torna-se portador crônico do VHB.

Sintomatologia - As células de defesa do organismo reconhecem as células infectadas pelo vírus e passam a atacá-las, causando, inflamação do fígado. Nas formas mais leves, esse tipo de hepatite pode passar despercebida ou produzir sintomas semelhantes à de um resfriado. Nas formas mais severas, entretanto, os pacientes podem apresentar febre, mal-estar e erupções cutâneas, que podem durar de 2 a 3 meses. Após 2 a 3 semanas, os sintomas podem incluir urina escura, fezes esbranquiçadas e icterícia (que se manifesta em 20% dos pacientes). Na fase de recuperação, os sintomas iniciais desaparecem, mas o mal-estar e a fadiga persistir por várias semanas.

Transmissão - O VHB é um vírus que pode ser encontrado no sangue, saliva, sêmen, secreção vaginal, fluxo menstrual, urina e no leite materno. Essas secreções, potencialmente, podem transmitir o vírus, uma vez que ele é bastante resistente ao meio ambiente. A transmissão do VHB ocorre quando o sangue ou esse fluidos orgânicos contaminados pelo vírus penetram na corrente sangüínea, via injeção ou ferimentos. Entretanto, em um número significativo de casos, o meio de transmissão não é identificado. As principais vias de transmissão do VHB são:

- Exposição perinatal (da mãe para o bebê ou feto, no parto ou aleitamento);
- Contato sexual sem preservativo;
- Através de seringas, transfusões ou ferimentos;
- Transplantes de órgãos ou tecidos.

Algumas observações importantes:

  • O contato sexual que transmite o vírus pode ser tanto hetero quanto homossexual;
  • O aumento do uso de preservativos (camisinha), por causa da ameaça da AIDS, juntamente com a vacinação, está reduzindo a propagação do VHB;
  • Mais de 90% dos recém-nascidos infectados pela mãe tornam-se portadores crônicos do VHB. Como acontece com adultos, uma proporção destes pode desenvolver cirrose e câncer de fígado, após várias décadas;
  • Os profissionais de saúde, agentes penitenciários e os usuários de drogas injetáveis constitutem os principais grupos de risco para a infecção pelo VHB, na transmissão por contato com sangue contaminado;
  • O VHB pode ser transmitido pelo uso comum de escovas de dente, barbeadores e lâminas contaminadas pelo sangue infectado entre membros de uma mesma família;
  • Baixas condições socioeconômicas favorecem esse tipo de transmissão, por causa de inadequados hábitos de higiene.

Prevalência - A Organização Mundial de Saúde estima que 2 bilhões de pessoas foram contaminadas pelo VHB e cerca de 300 milhões entras essas evoluíram para doença crônica.

Hepatite C - A Hepatite C é causada por um vírus denominado VHC (vírus da hepatite C), identificado em 1989. Os sintomas agudos dessa infecção são geralmente leves ou passam despercebidos. Muitos pacientes desenvolvem hepatite crônica, que também pode levar à cirrose e ao câncer de fígado. A principal via de transmissão é através do contato com sangue contaminado. Mais raramente, ocorre por contato sexual. A Hepatite C é a principal causa de indicação de transplante hepático em todo o mundo. O VHC está largamente distribuído pelo mundo. Atinge hoje, cerca de 170 milhões de pessoas, sendo mais 3,2 milhões somente no Brasil. A hepatite C é um problema de saúde pública por causa do grande número de casos que evoluem para cronicidade (80% das pessoas infectadas pelo VHC). Pelo fato de sintomas agudos são geralmente leves ou ausentes, a dificuldade e o atraso no diagnóstico da doença é um fator importante de sua cronicidade.

Sintomatologia - A infecção pelo VHC muitas vezes é diagnosticada apenas acidentalmente durante exames de sangue de rotina ou nos exames de triagem para doação de sangue. Isso ocorre porque os sintomas da infecção na fase aguda e no início da fase crônica em geral são leves ou ausentes. Mais de 2/3 das pessoas com infecção aguda não apresentam sintomas. Quando acontecem, esses podem ser letargia ("moleza", fadiga) , anorexia (falta de apetite) e náuseas. Na fase crônica, também pode haver fadiga, mal-estar semelhante ao da gripe (síndrome da gripe), dores musculares, perda do apetite, náuseas e febre, com maior intensidade nos idosos e naqueles, tais como os imunossuprimidos, que têm o sistema imunológico mais debilitado.

Transmissão - A via de transmissão mais importante do VHC é o contato de sangue contaminado e das secreções que contêm o vírus com o sangue do indivíduo sadio (via parenteral). As principais vias de transmissão do VHC são:

  • Sangue e derivados do sangue contaminados (comum em hemofílicos e pessoas que necessitam de transfusões freqüentes);
  • Uso de drogas intravenosas (contaminação pela seringa compartilhada);
  • Relação sexual (raro, porque os níveis do vírus nas secreções são baixos);
  • Manipulação de material contaminado por profissionais de saúde;
  • Cortes e ferimentos (raro);
  • Hemodiálise (pelo compartilhamento de materiais contaminados);
  • Transmissão na gestação ou parto;
  • Outras vias não determinadas.

Prevalência - O VHC está largamente distribuído pelo mundo. Estima-se que cerca de 170 milhões de pessoas, sendo 3,2 milhões somente no Brasil, estejam contaminadas. Por isso a hepatite C é um problema grave de saúde pública, em especial porque cerca de 80% dos casos evoluem para cronicidade. Como os sintomas agudos são geralmente leves ou ausentes, é difícil o diagnóstico precoce dessa doença. A hepatite C é menos freqüente do que a do tipo B. Estudos sugerem que há diferenças na incidência conforme o sexo e a idade da pessoa. Assim como a hepatite B, a hepatite C é mais freqüente nos homens do que nas mulheres, e a incidência é 1 a 2 vezes maior após os 50 anos de idade. Outro dado importante é a distribuição geográfica quanto aos genótipos do vírus. Os genótipos, são os subtipos do vírus, considerados fatores importantes na resposta ao tratamento, podem ser classificados em: 1a, 1b, 2a, 2b, 3, 4, 5a, 6a. Alguns genótipos têm distribuição em todo o mundo (1a, 1b, 2a, 2b), enquanto outros são somente encontrados em determinadas regiões. No Brasil, são encontrados os genótipos 1a, 1b, 2a, 2b e 3, com predomínio do genótipo 1 sobre os genótipos não-1 (60% e 40% respectivamente). O genótipo 1 tende a responder pior ao tratamento que os demais (genótipos não-1).

Para saber mais...

Hepatite C - Aspectos Epidemiológicos

Hepatite
Classificação: C - CID10: B17.1

Aspectos Clínicos e Epidemiológicos

Descrição - Doença viral com infecções assintomáticas ou sintomáticas (até formas fulminantes que são raras). As hepatites sintomáticas são caracterizadas por mal-estar, cefaléia, febre baixa, anorexia, astenia, fadiga, artralgia, náuseas, vômitos, desconforto no hipocôndrio direito e aversão a alguns alimentos e cigarro. A icterícia é encontrada entre 18 a 26% dos casos de hepatite aguda e inicia-se quando a febre desaparece, podendo ser precedida por colúria e hipocolia fecal. Pode haver também hepatomegalia ou hepatoesplenomegalia. Na forma aguda os sintomas vão desaparecendo paulatinamente. Das pessoas infectadas, 70 a 85% desenvolvem a forma crônica mantendo um processo inflamatório hepático por mais de seis meses. Destas pessoas, 20% a 30% evoluem para cirrose e dos cirróticos 1,0% a 5,0% desenvolvem hepatocarcinoma.

Agente etiológico - Vírus da Hepatite C (VHC). É um vírus RNA, família Flaviviridae.

Reservatório - O homem. Experimentalmente, o chimpanzé.

Modo de transmissão - A transmissão ocorre principalmente por via parenteral. São consideradas populações de risco acrescido:

  • Indivíduos que receberam transfusão de sangue e/ou hemoderivados antes de 1993;
  • Pessoas que compartilham material para uso de drogas injetáveis, inaláveis, tatuagem, "piercing" ou que apresentem outras formas de exposição percutânea.

A transmissão sexual pode ocorrer principalmente em pessoas com múltiplos parceiros e com prática sexual de risco acrescido (sem uso de preservativo). A transmissão perinatal é possível e pode ocorrer quase apenas no momento do parto ou logo após. A transmissão intra-uterina é incomum. A média de infecção em crianças nascidas de mães VHC positivas é de aproximadamente 6%, havendo co-infecção com HIV sobe para 17%. A transmissão pode estar associada ao genótipo e carga viral elevada do VHC. Apesar da possibilidade da transmissão através do aleitamento materno (partículas virais foram demonstradas no colostro e leite materno), não há até agora evidências conclusivas de aumento do risco à transmissão, exceto na ocorrência de fissuras ou sangramento nos mamilos.

Período de incubação - Varia de 15 a 150 dias.

Período de transmissibilidade - Inicia-se 1 semana antes do início dos sintomas e mantém-se enquanto o paciente apresentar RNA-VHC reagente.

Complicações - Cronificação da infecção, cirrose hepática e suas complicações (ascite, hemorragias digestivas, peritonite bacteriana espontânea, encefalopatia hepática) e carcinoma hepato-celular.

Diagnóstico - Clínico-laboratorial. Apenas com os aspectos clínicos não é possível identificar o agente etiológico, sendo necessário exames sorológicos. Os exames laboratoriais inespecíficos incluem as dosagens de amino-transferases-ALT/TGP e AST/TGO-que denunciam lesão do parênquima hepático. O nível de ALT pode estar três vezes maior que o normal. As bilirrubinas são elevadas e o tempo de protrombina pode estar aumentada (TP>17s ou INR>1,5) indicando gravidade. Na infecção crônica, o padrão ondulante dos níveis séricos das aminotransferases, especialmente a ALT/TGP, diferentemente da hepatite B, apresenta-se entre seus valores normais e valores mais altos. A definição do agente é feita pelo marcador sorológico Anti-HCV. Este marcador indica contato prévio o agente e a presença do vírus deve ser confirmada pela pesquisa qualitativa de HCV-RNA.

Diagnóstico diferencial - Hepatite por vírus A, B, D ou E; outras infecções como: leptospirose, febre amarela, malária, dengue, sepsis, citomegalovírus e mononucleose; doenças hemolíticas; obstruções biliares; uso abusivo de álcool; uso de alguns medicamentos e substâncias químicas.

Tratamento - O tratamento específico para a fase aguda é complexo e ainda não está totalmente esclarecido na literatura. Se necessário, apenas sintomático para náuseas, vômitos e prurido. Como norma geral, recomenda-se repouso relativo até praticamente a normalização das aminotransferases. Dieta pobre em gordura e rica em carboidratos é de uso popular, porém seu maior benefício é ser mais agradável para o paciente anorético. De forma prática, deve ser recomendado que o próprio paciente defina sua dieta de acordo com seu apetite e aceitação alimentar. A única restrição está relacionada à ingestão de álcool, que deve ser suspensa por seis meses no mínimo e, preferencialmente, por um ano. Medicamentos não devem ser administrados sem recomendação médica para que não agrave o dano hepático. As drogas consideradas "hepatoprotetoras", associadas ou não a complexos vitamínicos, não tem nenhum valor terapêutico. Na hepatite crônica estima-se que um terço a um quarto dos casos necessitará de tratamento. Sua indicação baseia-se no grau de acometimento hepático. Pacientes sem manifestações de hepatopatia e com aminotransferases normais devem ser avaliados clinicamente e repetir os exames a cada seis meses. No tratamento da hepatite C crônica pode-se administrar interferon convencional ou peguilado associado a ribavirina dependendo do genótipo infectante.

Características epidemiológicas - Estima-se que existam entre 170 e 200 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo. A prevalência da infecção, com base em dados de doadores de sangue, pode variar entre índices inferiores a 1,0% em países como o Reino Unido, Escandinávia, Nova Zelândia e algumas áreas do Japão, ou chegar até a 26% como no Egito. No Brasil, com base em doadores de sangue, a prevalência de anti-HCV nas diversas regiões foi de 0,62% no Norte, 0,55% no Nordeste, 0,43% no Sudeste, 0,28% no Centro-oeste e 0,46% no Sul (Anvisa, 2002). As populações mais atingidas são os pacientes que realizam múltiplas transfusões, hemofílicos, hemodialisados, usuários de drogas injetáveis e inaláveis, assim como portadores de tatuagens e de "piercing". Num inquérito soroepidemiológico de base populacional, estratificada por sexo, idade e local de moradia, realizada no município de São Paulo, foi encontrada uma estimativa de prevalência de 1,42% de Anti-HCV. Para a população acima e 30 anos a estimativa foi de 2,7%.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos - Conhecer a magnitude, tendência, distribuição geográfica e por faixa etária. Investigar os casos e adotar medidas de controle.

Notificação - Todos os casos devem ser notificados e investigados.

Definição de caso:

  • Caso suspeito - Indivíduo com icterícia aguda e colúria e/ou dosagem de aminotransferases igual ou maior que três vezes o valor normal; história de exposição percutânea ou de mucosa a sangue e/ou secreções de pessoas portadoras ou com suspeita de infecção pelo HCV; exames sorológicos de triagem reagentes para hepatite C (doadores de sangue e/ou órgãos, usuários de hemodiálise e ambulatórios de DST) ou indivíduo que desenvolveu icterícia subitamente e evoluiu para óbito, sem outro diagnóstico confirmado; receptores de transplantes, sangue ou hemoderivados antes de 1993.
  • Caso Confirmado - Indivíduo que preenche as condições de suspeito e detecta-se no soro o RNA-VHC por método de biologia molecular ou detecção do antígeno ou RNA-VHC em tecido quando não for possível a coleta de soro em caso de óbito. Nos locais onde ainda não for possível a realização de teste de biologia molecular, poderá ser confirmado indivíduos com duas sorologias reagentes pelo método de Elisa com aminotransferases (ALT) uma vez e meio maior que o limite normal.

Medidas de controle - Não há vacina, nem imunoglobulina para a hepatite C. Aos portadores crônicos do VHC são recomendadas as vacinas contra hepatite A e B, se forem susceptíveis, evitando o risco destas infecções. Aos portadores do VHC é importante que orientações sejam dadas para evitar a transmissão do vírus. A possibilidade da transmissão vertical (mãe-filho) e através do aleitamento materno deve ser problematizada com mães infectadas pelo VHC. Usuários de drogas injetáveis e inaláveis não devem compartilhar seringas e canudos. Embora o risco de transmissão sexual seja pequeno, esta informação deve ser passada para casais discordantes (um tem a infecção e o outro não). Entretanto, de forma geral, como forma de prevenção de DST, incluindo a hepatite B, o uso de preservativo deve ser buscado. O portador não deve fazer doação de sangue. Os profissionais devem seguir as normas de biossegurança nos estabelecimentos de saúde. Em caso de acidente biológico, testar o paciente fonte para o VHC. O profissional acidentado deve ser acompanhado e realizar sorologia no momento do acidente, aos 3 e 6 meses após a exposição, sendo que entre a quarta e sexta semana deve realizar um dosagem de aminotransferases.

Fonte: Doenças Infecciosas e Parasitárias: Guia de Bolso, Volume 1, 3ª edição, pág. 219 - Ministério da Saúde Brasília/DF - junho 2004

Termos relacionados com o estudo das hepatites virais

Ag HBc - Antígeno do "core" do vírus da hepatite B.

Ag Hbe - Antígeno "e" do vírus da hepatite B que é um sinal da multiplicação do vírus.

Ag HBs - Antígeno de superfície do vírus da hepatite B.

Anemia - Redução da quantidade de hemoglobina e, regra geral, do número de glóbulos vermelhos.

Anticorpo - Substância que se forma no organismo quando este absorve um antígeno, seja alimentar, químico ou biológico, no caso um vírus ou uma bactéria. A sua presença significa que a reação de defesa do corpo atingiu o pico máximo contra o antígeno que está a afetar o organismo.

Antígeno - Substância que estimula a produção de anticorpos específicos, tem origens diversas, nomeadamente de células vegetais, de animais, bactérias ou de albuminas dissolvidas, e pode ser inofensiva, bastante tóxica ou virulenta.

Anti-HBc - Anticorpo gerado contra o antígeno do "core" do vírus da hepatite B. Está presente nas fases agudas e crônicas da hepatite B.

Anti-HBe - Anticorpo gerado contra o antígeno "e" do vírus da hepatite B

Anti-HBs - Anticorpo gerado contra o antígeno de superfície do vírus da hepatite B

Assintomática - Palavra muito usada em Medicina para designar a ausência de sintomas de uma doença.

Astenia - Fadiga, fraqueza generalizada, falta de forças.

Bilirrubina - Principal pigmento biliar tem uma cor amarelo-avermelhada e é eliminado pela bílis.

Bílis ou bile - Substância líquida de cor amarelo-esverdeada, mais ou menos viscosa, amarga e de reação alcalina. Produzida pelo fígado, desempenha um papel importante no processo digestivo.

Biopsia - Processo de diagnóstico médico que consiste na colheita de tecidos de um ser vivo para efetuar um exame microscópico.

Biopsia hepática - Colheita de um fragmento de fígado que permite a realização de um exame minucioso dos seus tecidos

Calicivírus - Família de vírus em que se inclui o vírus da hepatite E.

Carcinoma hepatocelular - Tumor das células do fígado. É o mais freqüente tumor maligno que ataca o fígado.

Cirrose - Transformação modular do fígado. Vulgarmente, define uma grave doença do fígado, embora possa afetar outros órgãos. Resulta de uma lesão prolongada das células do fígado (hepatócitos); quando é fruto de uma hepatite crônica ativa, diz-se que se trata de uma cirrose pós-hepatítica.

Co-infecção - Infecção simultânea do organismo por dois tipos de vírus.

Colesterol - Álcool cíclico que se encontra nos tecidos humanos, óleos e gorduras animais, é essencial na constituição dos cálculos biliares e nas placas de aterosclerose, mas muitas vezes é responsável pela obstrução das artérias. O Colesterol HDL ("High Density Lipoproteins") é considerado o colesterol bom, uma porção da substância que quanto mais elevada for melhor é para o organismo, funcionando como protetora. O Colesterol LDL ("Low Density Lipoproteins") é considerado o colesterol mau, uma porção da substância cujos valores elevados são prejudiciais para o organismo.

Colúria - Eliminação de pigmentos biliares pela urina.

Corticoideterapia - Terapêutica com corticosteróides. Estes são produzidos pelo córtex da supra-renal. Na terapêutica usam-se corticosteróides sintéticos.

Cromossomo - Formado, principalmente, por ADN e proteínas, é um pequeno corpo que se encontra no núcleo das células e em cuja estrutura se encontram os genes.

Doença hepática - Doença que afeta o fígado.

Encefalopatia hepática - Termo usado para caracterizar um estado confusão mental em pessoas com doença hepática aguda ou crônica.

Enzima - Substância orgânica, constituída por proteínas e produzida por células vivas, que atua como acelerador de certas reações químicas

Estado crônico - Situação em que a doença permanece no organismo, embora nem sempre se manifeste.

Falência hepática - Incapacidade do fígado para manter a sua atividade metabólica.

Flavivírus - Família de vírus em que se inclui o vírus da hepatite C.

Gamaglobulina - Proteínas presentes na circulação e que constituem os anticorpos.

Gene - Pequena unidade de um cromossomo, formada por ADN, que é responsável pela transmissão das características hereditárias.

Genoma - Conjunto de cromossomos que são característicos de cada espécie, somando 23 no caso dos humanos.

Genótipo - Conjunto de genes que compõe as células de um organismo e contêm todas as características hereditárias.

Hepadnavirus - Família de vírus em que se inclui o vírus da hepatite B.

Hepático - Relativo ao fígado.

Hepatite aguda - Fase critica da doença. Geralmente, termina ao fim de algumas semanas, mas pode assumir uma forma prolongada, durante três a quatro meses, ou provocar uma recaída quando a cura parecia completa.

Hepatite crônica - Significa que as transaminases permanecem elevadas durante mais de seis meses, após a hepatite aguda.

Hepatite fulminante - Segue-se a uma hepatite aguda e resulta na paragem total ou quase total do funcionamento do fígado que pode ser mortal.

Hepatócito - Célula do fígado que assegura as principais funções do órgão.

Hepatomegalia - Aumento do volume do fígado

HIV - ver IHV

Icterícia - Sintoma de uma doença ou alteração do sistema biliar caracterizada pela cor amarelada da pele e dos olhos, provocada pela presença de grandes quantidades de secreções biliares no sangue.

IgA - Classe de anticorpo.

IgG - Uma classe de anticorpos. É o anticorpo mais abundante que protege o organismo contra bactérias, vírus e toxinas que circulam no sangue. Passa pelas paredes dos vasos sanguíneos e entra nos tecidos. Atravessa, também, a placenta, dando a imunidade necessária ao feto.

IgM - Uma classe de anticorpos. É o primeiro anticorpo a aparecer no sangue em resposta a um antígeno, mas fica por pouco tempo. A sua presença indica que o organismo está infectado. É demasiado grande para atravessar a placenta e, por isso, não protege o feto.

Imunidade - Capacidade biológica de defesa do organismo face ao ataque de certos micróbios.

Imunoglobulina - Proteína do sangue que age como um anticorpo. É obtida a partir de sangue humano e contém anticorpos contra os vírus. Concede rapidamente uma proteção (os anticorpos aparecem cinco dias após), mas apenas durante três a seis meses.

Insuficiência hepática - Diminuição das capacidade ou paragem do fígado.

Insuficiência hepatocelular - Diminuição ou paragem do funcionamento das células do fígado.

Lesão hepática - Designação geral que se dá a todas as alterações patológicas do fígado.

PCR - Sigla do inglês "Polimerase Chain Reaction", isto é: Reação de Polimerização em Cadeia. É um método laboratorial que permite detectar a presença do vírus no sangue, amplificando o genoma. Até ao momento, é a metodologia mais sensível e específica, disponível até o momento para a análise de genes e seus transcritos.

Período de Incubação - Espaço de tempo que medeia a introdução de um agente infeccioso no corpo e a manifestação dos sintomas da doença.

Período de transmissão - Espaço de tempo em que um doente pode contaminar pessoas saudáveis.

Picornavírus - Família de vírus em que se inclui o vírus da hepatite A.

Plaquetas sanguíneas ou trombócitos - Pequena célula sanguínea, sem núcleo, existente no sangue dos mamíferos.

Portadores crônicos - Pessoas que não têm uma doença viral mas nas quais o vírus permanece, podendo ser transmitido a outras pessoas.

Ribavirina - Molécula antivírica que tem vindo a ser utilizada no tratamento da hepatite crônica C, em associação com o interferon.

Seroconversão - Passagem do estado de portador de antígenos ao de portador de anticorpos.

Taxa de contaminação - Percentagem das pessoas contaminadas com uma determinada doença.

Taxa de incidência - Percentagem das pessoas contaminadas com uma determinada doença, relativamente à população a que pertencem.

Transaminases ou aminotransferases - Enzimas que se encontram em grande quantidade no fígado. O aumento da quantidade é significativo no caso de uma hepatite aguda (mais de dez vezes superior ao normal), mas mais moderado face a uma hepatite crônica (em geral, duas a cinco vezes superior ao valor normal)

Transplante hepático - Ato cirúrgico destinado a substituir um fígado doente por outro com características idênticas, saudável, retirado de uma pessoa recentemente falecida.

Urobilinogênio - Resultado da degradação da bilirrubina, formado por ação da flora intestinal, encontra-se em pequena quantidade na urina. A maior parte desta substância é reabsorvida, voltando a formar bilirrubina no fígado.

Vacina - Substância biológica, preparada com agentes infecciosos ou por recombinação genética. Quando introduzida no organismo, impede o desenvolvimento de doenças provocadas pelos vírus de que é constituída. É combinada, quando serve para prevenir duas doenças, como no caso das hepatites A e B.

VIH ou HIV - Vírus da Imunodeficiência Humana, o microorganismo que provoca a AIDS (a Síndrome da imunodeficiência adquirida).

Viremia - Palavra inglesa que designa a presença do vírus no sangue. Em português, pode dizer-se "virulência" ou "carga viral".

Viróides - Vírus incompletos.

Virulento - Produzido por um vírus; doença infecciosa ou contagiosa; que contém vírus.

Vírus - Microorganismo infeccioso, geralmente constituído por uma molécula de ácido nucléico revestida de proteínas. Sem metabolismo independente e apenas conseguindo reproduzir-se no interior das células vivas do organismo hospedeiro, é um agente infeccioso causador de muitas doenças contagiosas.