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20.01.2012

Baixa em doações faz número de transplantes cair 4,7%

No Distrito Federal, 831 pessoas aguardam por um transplante. Mais da metade, ou 459 pacientes, espera por um rim. A demora para conseguir um novo órgão pode durar anos. Em 2011, 422 pessoas saíram da fila e se submeteram a um transplante. O número é 4,7% menor que o de 2010, quando foram feitos 443 procedimentos nas redes pública e particular de saúde. A queda, segundo a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), da Secretaria de Saúde, está relacionada à baixa nas doações de órgãos de pacientes com morte cerebral. No ano passado, foram 29 contra 42 no mesmo período anterior.

O número, que vinha subindo desde 2004, caiu 30% no ano passado e voltou ao mesmo patamar de 2009. A coordenadora da CNCDO, Daniela Salomão Pontes, estima que, entre os potenciais doadores que têm condições de ceder um órgão saudável, ao menos metade dos parentes negam o procedimento. “As pessoas dizem que o paciente era contra a doação em vida ou tem motivos religiosos. Não podemos contra-argumentar. Só tentamos mostrar que amanhã essa pessoa pode estar do outro lado da fila e precisar de uma doação”, disse a médica. Para reverter esse quadro, a Secretaria de Saúde lançou, no fim do ano passado, uma campanha de incentivo a doações.

Um dos prejudicados pela resistência das famílias é o comerciário Noé Pereira da Silva, 37 anos, morador do Gama, que contraiu insuficiência renal crônica em 2004. Depois de passar dias internado e meses em tratamento, a função renal de Noé chegou a menos de 10%, quadro que exige a hemodiálise. Desde então, Noé faz duas horas diárias do tratamento, e espera por um transplante desde 2005.

Como não tem compatibilidade com nenhum parente, o comerciário depende da fila única da rede pública de saúde. Ele já foi chamado para avaliação quatro vezes, mas nunca conseguiu o rim disponível. “Eles nos colocam num processo de avaliação para ver qual paciente recebe o rim e isso cria uma expectativa. A demanda é pouca. O que acontece é que a sociedade atrapalha um pouco o paciente.”

Atualmente, o índice do Distrito Federal é de 17 doações para cada milhão de habitantes. O número está acima da média nacional, de 10 por um milhão, mas nem sempre as doações são aproveitadas. Em alguns casos, o paciente em trauma grave não é mantido vivo por tempo suficiente para se cumprir o protocolo de retirada do órgão. “A negativa das famílias está relacionada à questão de educação, que será muito difícil mudar. Seria mais importante a capacitação das pessoas para manutenção e agilidade do potencial doador, pois o Brasil não notifica metade dos possíveis doadores”, avaliou Francisco Neto de Assis, presidente da Associação Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos.

 

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