03.08.2010
De acordo com a Associação Brasileira de Doação de Órgãos (ABTO), o Ceará é o segundo estado com maior número de doadores do País. No último trimestre de 2009, a quantidade de doadores efetivos era de 11,2 por milhão da população, já, de janeiro a março de 2010, esse número subiu para 19,1. O Ceará só perde para São Paulo, com 22,6 doadores por milhão da população. Até o fim do ano passado, o Estado ficava abaixo de Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
Além disso, a ABTO destaca que apenas cinco estados realizaram transplantes de pâncreas no primeiro trimestre de 2010, incluindo o Ceará. De acordo com informações da Secretaria da Saúde (Sesa), o Estado passou a realizar transplantes de pâncreas a partir de novembro do ano 2009.
De lá para cá, foram feitas cinco cirurgias dessa natureza no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), sendo quatro somente neste ano. A dona-de-casa Fernanda Lopes Tabosa, 27 anos, foi uma dessas cinco felizardas a receber um novo pâncreas, além disso também ganhou um rim. Ela conta que há 15 dias vê a vida de uma forma diferente. "Para mim, foi um presente, uma nova chance de continuar a minha caminhada. Pois, há 16 anos, eu sofria com diabetes e há três anos fazia hemodiálise. Essa pessoa foi um anjo na minha vida", disse Fernanda.
Possibilidades
Para o titular da Sesa, Arruda Bastos, com o aumento do número de doadores, as possibilidades de realização de transplantes aumentam. "Devemos este sucesso a uma conscientização maior da população, como também ao investimento feito, desde 2007, em pessoal e equipamentos, assim como a reestruturação da Central de Transplantes e das comissões intra-hospitalares". Até ontem, foram realizados 460 transplantes de órgãos e tecidos em todo o Ceará. No ano de 2006, foram feitos 446 procedimentos. Nos anos seguintes (2007, 2008 e 2009), a Central de Transplantes do Estado (CTE) superou seus índices ano a ano.
Em 2007, foram 618 transplantes, 739 em 2008, saltando para 767 em 2009, ano em que o Ceará ficou em primeiro lugar no ranking nacional em transplante de coração por milhão da população. Dos 460 procedimentos feitos neste ano, 225 foram de córneas, 133 de rim, 63 de fígado e 11 de coração. Os 28 transplantes restantes foram de esclera, medula óssea, válvula cardíaca e pâncreas.
Foi observado um decréscimo nas realizações de cirurgias para transplante de coração, que, em 2008, foi de 31, e, em 2009, registrou 25. Para o coordenador do Programa de Transplante Cardíaco do Hospital de Messejana, Juan Mejía, isso acontece porque, de cada cinco doadores efetivos no Ceará, apenas um é aproveitado para transplante. "A gente não aceita corações vindas de doadores instáveis hemodinamicamente".
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