08.01.2010
Córneas captadas na região de Ribeirão Preto eram descartadas em São Paulo até o final do ano passado, segundo a Secretaria do Estado da Saúde. Em 2009, foram transplantadas apenas 5.686 das 15.901 córneas captadas (ou o equivalente a 35,7% do total). Para evitar que o tecido continuasse a ir para o lixo, o Estado anunciou que o material excedente começou a ser enviado para outros estados.
Segundo Luis Augusto Pereira, coordenador da central de transplantes estadual, que esteve em Ribeirão em dezembro, no Ministério Público Estadual, o modelo unificado de distribuição de córneas implantado em 2009 e gerenciado por São Paulo, zerou a fila e, pela primeira vez, o Estado estava descartando córneas transplantáveis.
"Algumas equipes (paulistas) não aceitam e não há como mandar uma córnea para cada cidade do Brasil, só podemos mandar de lotes, com quatro ou seis, pelo menos, porque é preciso enviar uma caixa com termômetro que dê segurança para manter o tecido. Depois, ainda temos que esperar voltar. Sobra córnea e pode-se dizer que o Estado joga fora", disse Pereira. A situação teria se agravado em dezembro, pois esse tipo de problema não envolve risco de morte e os paciente adiam as cirurgias.
As lista paulistas teriam zerado no final de ano e, apenas da semana passada até anteontem, o Estado já havia exportado 54 córneas para quatro estados. "Há dois tipos de córnea, a ótica, que é boa, e a tectônica, que é ruim, e as duas podem ser usadas, porque a ruim serve como curativo para quem furou o olho", disse Pereira.
Para o coordenador, a tendência é o surgimento de uma central nacional de distribuição, o que permitiria aos governos estaduais investirem em ampliação da rede de captação. A representante Eliana de Almeida, 62 anos, fez transplante em outubro de 2009 e esperou apenas 12 dias para conseguir a córnea. Ela afirmou que hoje o desafio não é conseguir a doação, mas obter o tratamento adequado e um material com qualidade de coleta.
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