07.01.2010
Estudantes de Santa Rita do Sapucaí (MG) desenvolvem equipamento com software que mantém temperatura ideal para transporte de coração, fígado, córnea, pulmão, pâncreas e rins
Belo Horizonte - O alto índice de descarte de órgãos para transplante por falta de acondicionamento adequado levou um grupo de estudantes do sétimo período de engenharia do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), localizado em Santa Rita do Sapucaí (MG), a desenvolver o Translife. O equipamento de refrigeração promete ampliar o tempo de sobrevivência dos órgãos a partir do controle rígido da temperatura durante todo o transporte. "Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), 27% do material doado foram descartados por falta de manuseio adequado entre a remoção e a chegada ao receptor. Isso somente em 2008", afirma Reinaldo Rodrigues, um dos integrantes da pesquisa, realizada com os colegas Marina Dias e Rômulo Silva.
O aparelho pretende substituir a atual forma de transferência, na qual os órgãos são depositados em soro e cobertos por embalagens de gelo. Essa forma de transporte leva à perda e à deterioração prematura do órgão, devido à queima do tecido pelo contato não homogêneo com as embalagens de gelo.
Com um custo total de pouco menos de R$ 5 mil em componentes e equipamentos, os alunos desenvolveram um software capaz de associar o material à temperatura ideal de acondicionamento e o tempo restante de sobrevida. "Cada órgão deve estar submetido a uma temperatura diferente, portanto ajustamos o software para que faça esse reconhecimento e, dessa forma, crie as melhores condições de manutenção", explica Rodrigues. Os órgãos reconhecidos pelo sistema são o coração, a córnea, o fígado, os rins, o pâncreas e os pulmões. O levantamento feito pelo grupo definiu que a córnea deve ser transportada a uma temperatura entre 2ºC e 8ºC; o coração, o pâncreas e o pulmão, a 5ºC; e o fígado e os rins, a 4ºC.
O aparelho foi desenvolvido com pastilhas termoelétricas conhecidas como módulos Peltier, muito utilizadas nos setores automotivo, industrial e militar para atuarem como bombas de calor. "Esses módulos são essencialmente um sanduíche de placas cerâmicas recheado com pequenos cubos de Bi2Te3 (telureto de bismuto). A grande vantagem dessas pastilhas é a ausência de peças móveis, gás freon, barulho e vibração", diz Rodrigues.
O Translife ainda traz outros benefícios, como a variedade de formas de alimentação. "Quando não há fonte de energia no local, uma bateria com autonomia de quatro horas o mantém em funcionamento. A bateria pode ser abastecida em carros e ambulâncias com tomadas de 12 volts e em tomadas residenciais", conta
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