23.02.2010
Santa Catarina é o Estado com maior número de doadores por habitante no Brasil. Explicação está em treinamento de pessoalNa fila, a espera parece não ter fim. No futuro, a incerteza de encontrar um doador compatível. Apesar do drama vivido por quem depende de um órgão de outra pessoa para viver melhor ou até sobreviver, estar em Santa Catarina pode ser um bom começo. Aqui está o maior número de doadores por habitante do Brasil. A explicação é simples: a dura - e muitas vezes ingrata - tarefa de convencer as famílias de que um momento de dor pode se transformar em vida nova é o foco dos investimentos.
Neste ano, o Estado vai destinar R$ 500 mil para o treinamento destes profissionais. O bom resultado será oficializado hoje, com a divulgação de um relatório da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).
Segundo dados preliminares, o Brasil registrou, no ano passado, número recorde de doadores de órgãos. Foram 1.658 - ou 8,7 doadores por milhão da população (ppm). Um crescimento de 26% em relação a 2008. Mesmo assim, muito atrás de Santa Catarina, que tem 19,8 doadores por milhão.
O Estado passou a ser referência em 2005 (veja gráfico abaixo). Um ano antes, a SC Transplantes, responsável pela captação e distribuição dos órgãos, tinha quatro pessoas trabalhando dentro do Hospital Celso Ramos. Hoje, o órgão conta com 28 funcionários. Além disso, houve investimento nos profissionais da saúde que fazem contato com as famílias dos possíveis doadores.
- Em 2004, eram menos de 10 coordenadores de transplantes nos hospitais. Hoje, passa de 80 - contabiliza Joel de Andrade, coordenador da SC Transplantes.
Espanha lidera o ranking de doadores
Baseado no modelo espanhol, que tem a melhor relação de doadores por habitantes no mundo (36 ppm), uma série de cursos e treinamentos começou a ser realizada com profissionais da saúde.
- Trabalhamos a educação dos profissionais da saúde com cursos regionais e estaduais. Procuramos, na medida do possível, que a atividade seja remunerada. Os profissionais ganham dinheiro em hora plantão ou em horas de folga - explica Joel de Andrade.
A enfermeira Adriana Müller, 35 anos, integra há dois a comissão de transplantes do Imperial Hospital de Caridade, de Florianópolis. Ela recebe treinamentos constantes e participa de palestras para ficar atualizada sobre o assunto:
- Quando há confirmação da morte encefálica, começamos a conversa com a família. É algo que tem de ser feito com calma, para que os familiares entendam todos os processos a serem realizados no falecido.
Para o presidente da ABTO, Ben-Hur Ferraz Neto, o sucesso da política de transplantes em Santa Catarina é resultado de uma combinação de ações:
- Santa Catarina é um exemplo nacional porque tem muita vontade política, que une Secretaria da Saúde, SC Transplantes, hospitais e médicos. Além disso, é um estado pequeno, o que facilita toda a logística de doações. Fica mais fácil envolver todas as partes, o que não tira o mérito do Estado.
Em 2004, Santa Catarina enviava pacientes para seis estados brasileiros. Hoje, são os pacientes de 16 estados que vem para cá.
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