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Visibilidade do tema doação de órgãos nos meios de comunicação

Doe-se em vida e depois dela

A Sociedade de Medicina de Pelotas tornou-se parceira da ADOTE porque entende que, sendo sua função primordial o aprimoramento científico da classe médica, deve contribuir com o máximo de informações técnicas a respeito de transplantes e doação de órgãos, de forma que todo profissional, seja qual for a sua especialidade, possa dar sua contribuição a sociedade em que atua, principalmente no trabalho de esclarecimento e conscientização da importância do problema.

Exatamente no momento em que a campanha da ADOTE começou a se fortalecer cada vez mais, com a adesão de vários segmentos da comunidade, também recebeu o reforço de fatos com repercussão nacional, como a trágica morte de Marcelo Frommer, ídolo de muitos jovens que, em vida, expressara sua vontade de ser doador de órgãos.

Com sua rara sensibilidade para olhar nossa realidade cotidiana, Martha Medeiros, cronista de Zero Hora, escreveu sobre o fato, realçando seu lado humanitário, em um texto com o título “Uma morte e várias vidas”, e do qual me permito extrair alguns parágrafos.

Diz ela: "Quem de nós não gostaria de ter serenidade e tolerância diante da morte? Pois bem, nenhuma religião conseguiu até hoje confortar plenamente os parentes e amigos que enfrentam o desaparecimento súbito de uma pessoa querida. A perda de alguém que nos é caro e próximo é de uma brutalidade indizível. O tempo não cura, apenas ajuda a administrar a saudade".

"No momento em que temos que superar uma dor extrema, a doação de órgãos pode se tornar um consolo mais eficiente do que as missas rezadas e as fotos que ganham altares primitivos. É o verdadeiro ato de fé que mantém viva aquela pessoa entre nós".

"Ao ver o coração de Marcelo Frommer batendo no corpo de outro homem, no mesmo dia em que ele estava sendo enterrado, ficou mito difícil dizer: ele morreu. Morreu coisa nenhuma. Está ajudando outro ser humano a atravessar a rua e a chegar do outro lado. É uma ressureição possível e real, que sai das páginas da bíblia e vira milagre testemunhado por todos nós".

“Ninguém quer morrer, ninguém quer perder ninguém, ninguém quer nem mesmo falar disso numa quarta-feira em que estamos tão atazanados com o trabalho e outros compromissos. Mas há ruas por atravessar. Antes de você dar continuidade ao seu cotidiano aparentemente inabalável, expresse verbalmente sua vontade de viver até os 100 anos (amém) e, caso o destino seja mais rápido no gatilho, a de sobreviver através do corpo de outra pessoa. Não é um assunto mórbido. Estamos falando de esperança. Doe-se em vida e depois dela.”

Dra. Gislaine S. Vargas

Presidente da Sociedade de Medicina de Pelotas

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